Minha cabeça perfura uma agonia esquisita...
Quase não entendo: é tão inválido, tão colossal, que nem deveria caber em uma só cabeça.
Não saber até quanto o cérebro pode agüentar até o ponto de a boca gritar;
Não saber até onde querer até a perna correr;
Não saber até o porque chorar se as lágrimas não caem...
Vontade de gritar não, pro alto, e tudo que tenha que ser negado, que seja;
Vontade de pular de um lado para que todos os pulos se coincidam em um salto.
Pensar tão alto, e soltar tão lá de cima, e esperar aqui em baixo, vê-lo cair, rápido, incrédulo.
Ir tão de pressa que o coração não dispara, breca, pra ver se algo nisso tudo faz sentido.
Pra ver se algo nesse todo pode também parar;
Pra ver se sinto nisso aqui um lugar pra se estar.
Existo por dias inexatos, por dias imprecisos,
Quero coisas inexatas e ao menos sinto o juízo...
Perdeu-se nas trevas e nevoas de um passado sucumbindo.
Quis-se estar em algum lugar escuro, em algum lugar tranqüilo...
Pensa em estar em harmonia a qualquer coisa que precisa...
Tenta-se alcançar o infinito e o infinito flamejar...
Chamas ardentes, rastejar, gritar, chorar...
Cantar frevos e baiões,
Dormir aos cantos de ninar,
Pensar ao som de bandolins,
Piscar e não pestanejar.
Correr e não se agarrar,
Rolar e não sofrer,
Amar e não poder,
Viver a vida a virar!
Um enorme monte de qualquer coisa!
Vivo a pescar dias melhores, que vem e vão,
Trabalhar e urgir, de uma forma inquieta,
Pular, socar, bater, gritar...
Rolar, chorar, fazer, poder...
Minha cabeça perfura uma agonia indeterminada...
O amor se sente, não quer um sujeito.
Predicado variado, verbo intransitivo...
Não escolher, não poder,
A obsessão pelo pecado, a necessidade do ser!
A vida vivida e a qualquer momento acabada
A inacabada vida a pouco começada...
Caminhos intermináveis, leituras incertas,
Curvas indiretas, missões incompletas,
Vida vazia, saco de pão... de migalhas... de pó!
Viver a vida o máximo possível vivendo possivelmente a pouca vida que nos guarda em segredo.
Amar a si ao narcisismo quem deixa tanto de amar ao próximo, e existir apenas para ter existido.
Confuso, perdido, incoerente, petulante,
E em qualquer lugar, ludibriado e sistematizado,
Perder tal jogo impetuoso por ter jogado demais.
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